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CANTAR NA LITURGIA, CANTAR A LITURGIA

CANTAR NA LITURGIA, CANTAR A LITURGIA

VOCAÇÃO DOS CANTORES LITÚRGICOS


Entramos na igreja para participar da celebração da missa de domingo, ou até, dependendo da igreja, de um dia da semana. A Igreja está linda, flores enfeitam o altar. Muita gente. Um silêncio com vozes bem baixas, vai chegando. Todos sentados. Tudo impecável. Vem o comentarista e no silêncio absoluto, lê as intenções da santa missa. No final, apresenta os celebrantes e especialmente os presidentes da celebração. Todos levantam. Ministros da Eucaristia, coroinhas e sacerdotes entram em procissão.

Naquele momento, percebemos que estamos sem os músicos, cantores...
A experiência de não termos as lindas músicas, fica em cada um, como se tivesse faltado algo muito importante. Percebemos como é importante o ministério dos cantores litúrgicos. A falta dos músicos que entoam os cânticos, que acompanham a celebração e que nos eleva até o céu, não existe e faz muita falta!

OS SENTIMENTOS NO CANTO LITÚRGICO

Cantar é uma forma de expressar nossos sentimentos. O canto expressa o amor, a alegria, a ternura, a tristeza e inúmeros sentimentos que estão entrelaçados em nosso espírito. Quando cantamos para Deus como direcionamento de nossa fé, torna-se uma forma de conversarmos com Ele. Cantamos na dimensão do canto religioso, que traz textos e melodias nas formas dialogais e que procuram expressar nossa gratidão a Deus. Nos cantos, os cristãos expressam  a fidelidade, a confiança e a esperança na Trindade, pois louvamos a Deus Pai,  Deus Filho e Deus no Espírito Santo. A vocação dos cantores é uma presença espiritual.

Na liturgia, falamos do canto religioso,  chamado popularmente de canto-mensagem de fé. O canto litúrgico está em função de suas atividades nas celebrações, ou seja, é o canto religioso que vai ser inserido nos rituais celebrativos de nossas comunidades. Ser cantor litúrgico é uma vocação, caso contrário se tornam artistas exibindo espetáculos, sem integração com a assembleia e o ritual sacramental.

VOCAÇÃO DOS CANTORES LITÚRGICOS.

O canto litúrgico é uma parte muito importante das celebrações comunitárias, encontrada no ritual dos sacramentos, dos sacramentais e das “pára-liturgias”. Caso não exista, como notamos muitas vezes nas comunidades, a celebração se empobrece. Nós, brasileiros, somos um país de gente muito ritmada, gostamos imensamente de louvar e agradecer a Deus cantando. A música nos aproxima de Deus. É interessante o modo de nos expressarmos, com gestos e cantos que nos elevam e nos aproximam de nosso Deus, de Nossa Senhora e dos santos. De fato, as músicas Marianas tem um sentido místico, pois nos aproxima diretamente do coração de Maria.

O canto litúrgico é  uma expressão sublime da nossa fé. No entanto,  para que um canto seja considerado litúrgico, devemos estar atentos que em primeiro lugar venham as vozes da comunidade. São importantes ainda os sentimentos, os textos e as melodias. Não podemos esquecer que o sentido da música é para solenizar  a beleza das celebrações. Quando mais bonita ficar, mais emoção e fé serão despertadas nas comunidades e seus fieis. Toda esta interação entre a melodia e o momento litúrgico precisa  estar bem sintonizada, senão poderá fragmentar o ritual litúrgico.

Este é o verdadeiro objetivo fundamental da vocação ao canto litúrgico: fazer com que as melodias no espaço sagrado expressem o mistério que os fieis estão celebrando.
Em verdade, quanto mais expressarmos o mistério pascal da nossa fé, tanto mais verdadeiro será o canto litúrgico.

 

DEVOÇÃO E EMOÇÃO NOS CANTOS LITÚRGICOS

Temos que viver na música a nossa fé trinitária. Não é correto escolher cantos  apenas devocionalistas  ou emocionalistas,  pois  estaremos  entrando em outro sentido que foge do mistério pascal cristão. A mensagem e o ritmo, bem como a melodia e a entoação devem servir ao mistério que se celebra no ritual. Somente assim, o canto será instrumento de integração da assembleia no mistério celebrado. Tanto mais verdadeiro será o canto litúrgico, quanto expressar o mistério pascal de nossa fé, em suas infinitas dimensões. Mesmo quando o canto expressa temas distintos, é preciso que seja um caminho para viver nossa fé trinitária. Sem esta compreensão, provocamos cantos “devocionalistas e emocionalistas”, cujo sentido fundamental não integra o ritual do mistério pascal cristão, ainda que possam ser muito bonitos e envolventes. Não basta.

O estilo do canto pode ser bem variado; eles podem ser alegres, ritmados, meditativos, sóbrios, com  vozes e movimentos adequados. Percebemos muitas vezes que por desconhecer o sentido da liturgia, alguns grupos de cantos embaraçam o sentido do ritual. Por  exemplo, o ato penitencial é um momento introspectivo que pedimos perdão a Deus e por isso, não podemos escolher cantos festivos, pois estaremos cantando o júbilo  que é o inverso deste momento mais sóbrio.  Assim, é necessário, portanto  que os cantos de louvação e glória reflitam alegria e festividade, enquanto que o canto de piedade seja voltado para nossos pecados e nossos arrependimentos.

 

OBJETIVOS DO CANTO LITÚRGICO

A Constituição SACROSANCTUM CONCILIUM veio nos dar um direcionamento, mostrando que a música sacra está intimamente ligada à liturgia. A música deve ser sempre como uma oração que rezamos. Ela dá aos ritos sagrados uma maior solenidade e leva todos os fieis a participarem  ativamente das celebrações. O Concílio  nos orienta que a assembleia inteira  deve estar de corpo e alma na celebração litúrgica,  de modo que possa glorificar Deus e santificar os seres humanos com o canto, em todas as partes e peculariedades do ritual. Por esta orientação, o Concílio quer dizer que toda a assembleia é chamada a se envolver plenamente  na celebração litúrgica, de forma a melhor glorificar a Deus e santificar os seres humanos.

Dentro deste espírito, o canto litúrgico deve levar à participação plena de toda a assembleia, que nos coloca na identificação com o mistério de Cristo, deixando a música nos conduzir à presença do Senhor e entregar-nos  em suas mãos. Esta postura religiosa  nos leva também à piedade. Não podemos apenas dizer “Senhor, Senhor”. É necessário que a música nos leve a conversar com Jesus Cristo e assim, sentirmo-nos filhos de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Mais ainda, é necessário termos um compromisso que nos permita, como se fosse uma oração,  participar da música. Participar de fato, com consciência, nos leva a uma celebração que nos converte aos nossos irmãos.

A vocação dos cantores deve levar ainda a comunidade a uma participação frutuosa, ou seja, que a música nos conduza a uma celebração que dê frutos.  Que ao participar da missão de Jesus Cristo  tenhamos coragem para assumir as ações transformadoras para as quais fomos chamados.

 

LOUVAÇÃO À TRINDADE SANTA

Nosso objetivo é o Mistério Pascal. A música nos faz perceber a centralidade que o Cristo nos mostra. Como ator principal, sua melodia será o que o Senhor nos fala e sua fala o que nosso coração precisa saber. Temos que aprender também a formar a consciência. A música sempre será a forma de manter nossa mente “acordada”.  Estaremos com as palavras, os gestos, as ações e uma meditação profunda da Palavra de Deus. Mentes abertas, mentes alertas. Deus fala pelo canto litúrgico.

Por fim, o canto litúrgico precisa  expressar os  nossos sentimentos. A luta pela sobrevivência diária muitas vezes nos leva a agir de forma totalmente racional. A música, dentro da ação litúrgica, precisa deixar  aflorar nossos sentimentos de alegria, louvação, confiança na súplica, tristeza nas lamentações,  e indignação ética na profecia.

Prof. João H. Hansen – Pe. Antônio S. Bogaz

Autores do romance A PRAÇA DA DÁDIVA. Lafonte. 2017

  • Categoria: Artigos
  • Criado em: 20/09/2019
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