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SOMOS TOOS MISSIONÁRIOS

SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS

O caminho da missão de Cristo a Francisco.

Dois mil anos depois de Cristo ter vindo à terra para ensinar os homens, percebemos que ainda falta muito para que um dia todos conheçam o Filho de Deus. Nesta longa caminhada onde tudo começou com Jesus Cristo e seus apóstolos, tomando Pedro como condutor de sua Igreja, o Evangelho foi semeado aos quatro cantos do mundo. Os apóstolos, depois que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes,  começaram este imenso trabalho de evangelização. Entre tantos, o grande mérito foi a transformação de Paulo, que acabou sendo o  maior evangelista da cristandade, pois lançou as redes em terras e povos distantes. Saiu do universo judaico e foi para os gentios, da Palestina para a diáspora, sem limites de fronteiras raciais ou culturais. Através do apóstolo Paulo, expandiu-se a mensagem do Reino de Deus. Atravessou diversos continentes e mares e chegou à capital do Império. Nestas terras, Pedro e Paulo levaram o nome de Jesus e seus ensinamentos.

A maravilhosa missão dos apóstolos se espalhou  pelo mundo e buscaram povos mais longínquos, que formaram os grandes patriarcados. De fato, Roma era o centro do império e tocando o centro da civilização romana, tocaram todo o mundo conquistado pelos romanos.

LONGA É A ESTRADA MISSIONÁRIA

Quando percebemos, ainda, a enorme população da terra, sabemos que o trabalho dos missionários ainda está começando, pois Deus, único e verdadeiro,  deseja que um dia o mundo inteiro seja cristão e reze ao mesmo tempo ao Senhor Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Isso significa que ainda não atingimos a média da evangelização e em verdade falta muito para que todos os povos caminhem na estrada de Cristo.

Esta é a missão de todos os fieis, pois todos somos missionários. O protagonista de toda evangelização é o Papa, que conta sempre com a dedicação dos grandes missionários religiosos, sacerdotes e leigos. Bem verdade que todos  papas sempre se preocuparam com a missionaridade de seu pontificado. A preocupação missionária é mais evidente em tempos de crise e de evasão da Igreja. Assim, basta lembrar-se de Bento XV com a carta apostólica “Maximum Illud”, sobre a atividade desenvolvida pelos missionários no mundo. Ele contempla e exalta os missionários corajosos e santos, capazes de deixar suas vidas e partir para terras distantes, tantas vezes para nunca mais voltar. Foi assim que cada Papa que passou deixou em seu legado algo para fortalecer a missão. De forma diferente e com diferentes motivações, todos tiveram este direcionamento. Ao sentar-se na cátedra pontifical, têm consciência que seU maior trabalho será a missão.

EVANGELIZAR EM TEMPOS DIFÍCEIS

O cristianismo foi desde o início muito simples, mas lidando com sociedades muito complexas.  Os poderosos de Roma começaram a fúria das perseguições. Os inimigos eram inúmeros, mas a fé era maior. Foi grande a resistência e a Igreja cresceu, mesmo que somente três séculos depois os perseguidores silenciaram. Na verdade, nunca pararam de existir, diminuía no Império Romano e crescia em outros lugares.

Pela ação dos missionários, sobretudo monges e religiosos, mas também leigos, o  avanço do cristianismo foi inesquecível. O Império Romano que tanto massacrou os herdeiros da Palavra de Deus, fez do Coliseu de Roma um parque recreativo para devorar os cristãos com tigres, leões e outros animais ávidos por sangue. Os cristãos sofreram nesta arena de dor e fé. A fé foi maior, foi tão grande que o Império achou melhor abraçar este caminho de amor e paz que Cristo nos ensinou.

GRANDES MISSIONÁRIOS DE TODOS OS TEMPOS

O Papa quer exaltar os missionários e recorda vários deles, para que sirvam de exemplo para os cristãos. Segundo Bento XV, não podemos esquecer que Gregório, o iluminador, fez com que a fé cristã chegasse ao povo da Armênia, Vitorino conseguiu esta graça na Estíria e Frumêncio na Etiópia e ainda hoje sobrevivem os cristãos na perseguição. Recordamos que São Patrício converteu os irlandeses ao cristianismo; enquanto Agostinho converteu os africanos; Colomba Palladio os escoceses; Clemente Willibrad – que foi o primeiro Bispo de Utrecht – evangelizou a Holanda, Bonifácio e Anscário ensinaram a fé cristã na Alemanha. No Oriente mais distante,  Cirilo e Metódio evangelizaram os eslavos. São alguns dos nomes citados que nos escreve Bento XV em sua Carta Apostólica. Mais distante ainda, tivemos Gilherme de Rubruquis que foi para a Mongólia levar o Evangelho e o Beato Gregório X enviou missionários para a China, enquanto os franciscanos levaram um cristianismo jovem. Infelizmente a perseguição foi terrível.

Naquele momento histórico, com a descoberta dos novos continentes, São Francisco Xavier, considerado por muitos como um apóstolo devido sua bravura diante dos perigos de evangelização, depois de inúmeros trabalhos na Índia e Japão, morreu ao chegar ao Império Chinês. No entanto, ele possibilitou a outros missionários de diversas Ordens Religiosas entrar neste império no meio de inúmeras dificuldades. Sem dúvida alguma temos alguns santos que não podem ser esquecidos, pois figuram entre aqueles que mais  estiveram atentos aos problemas da evangelização. Este corajoso pregador, São Francisco Xavier, tornou-se um missionário tão valioso que foi chamado de São Paulo do Oriente. Junto com Inácio de Loyola, foi o co-fundador da Ordem dos Jesuítas.

Somando todas as viagens de São Francisco Xavier, dizem os estudiosos que  ele fez três vezes a volta da terra evangelizando. Suas andanças eram ininterruptas. Depois de estudar em Paris e colocado dentro da fé através de Inácio de Loyola, São Francisco é considerado um grande evangelizador. Morreu ainda jovens aos 47 anos, vítima de febre e cansaço, mas marcado pela santidade e pela virtude missionária. Uma verdadeira vocação missionária.

A vocação missionária segue sua estrada em outros continentes. Na Austrália, que foi o último continente a ser descoberto, junto com as entradas dos territórios da África central e o  imenso Oceano Pacífico com suas ilhas, tivemos, mesmo debaixo de sangue, tortura e muita fé. Grandes vocações missionárias deixaram suas palavras e seu amor a Deus em momentos selados com sangue e devoção.

MISSIONÁRIOS NAS TERRAS DO PAU BRASIL

No Brasil, assim como nos outros países da América Latina, tivemos padres de diversas congregações, inclusive os jesuítas que fundaram a cidade de São Paulo. Destacamos  José de Anchieta que é um grande santo em nosso país e para os indígenas. No Brasil a missão foi iniciada pelos jesuítas. Aos poucos, os indígenas foram entendendo o sentido da missão. Somos formados por missionários, especialmente as congregações religiosas que vieram ao Brasil para evangelizar e socorrer os mais pobres.

Agora é nossa vez de missionar. Despertamos a vocação missionária. Deste modo, o Brasil tem enviado muitos padres para a África e tem inclusive ordens religiosas estabelecidas nas terras africanas.

No entanto, no Brasil, depois de mais de quinhentos anos, ainda existem lugares que falta evangelizar. Mas, o que se tem visto é que o processo da evangelização da Igreja Católica no mundo, continua em plena atividade. Hoje, entrar num país como a Índia, com mais de um bilhão de habitantes, não é fácil, mas é possível. Algumas congregações ali se estabeleceram e estão tendo resultados melhores que pensavam. Assim escreve o Papa Bento XV: “O destino de uma Missão depende, pode dizer-se, do modo como é dirigida; por isso, pode ser danosa a não idoneidade de quem a governa. Na verdade, quem se consagra ao apostolado das Missões, abandona pátria, família e parentes; aventura-se frequentemente numa viagem grande e perigosa, disposto a suportar qualquer sofrimento a fim de ganhar mais pessoas para Cristo. Por isso, se tem um superior que o assiste nas várias circunstâncias com sincera caridade, não há dúvida que a obra será frutuosa; caso contrário, abatido pouco as pouco pelas contrariedades, provavelmente terminará abandonando-se ao desânimo e à inércia” (Carta Apostólica Maximum Illud)”. Para que uma missão de evangelização possa dar certo, é necessário que quem o propaga,  tenha a convicção de que está fazendo o caminho que Deus lhe traçou. Não é fácil e é preciso coragem, fé e muita convicção. Trata-se de uma estrada muito difícil de ser feita a caminhada, com tropeços, colocando toda a sua força e desejo que ela, realmente, possa terminar como planejada.

O caminho não é somente no desconhecido e na distância, mas também existe missão tão próxima, que se esquece delas e se pensa apenas no desconhecido. Devemos abranger todos os territórios possíveis para o desenvolvimento do Reino de Deus. É necessário que todos possam fazer sua parte na criação de novos centros e novas comunidades cristãs.

Se fosse muito fácil entrar numa missão e cativar os povos, já teríamos terminado com as missões porque elas já teriam atingido o que queremos. No entanto, elas não foram ainda terminadas e por certo demorará muito para se atingir o mundo inteiro.

Um  aspecto interessante é que Bento XV  (1919), diz que: “No sentido de conseguir os frutos esperados, é absolutamente necessário que o clero indígena seja convenientemente instruído e formado. Não basta uma formação rudimentar suficiente para poder ser admitido ao sacerdócio, mas deve ser completa e perfeita, como a que se costuma dar aos sacerdotes das nações mais desenvolvidas. Em suma, não se deve formar um clero indígena como se fosse de classe inferior, usado para as tarefas secundárias, mas com um nível tal que, encontrando-se à altura do seu ministério, possa um dia assumir o governo da comunidade cristã.  Fica bem claro, que somente o fato de enviar uma missão, não significa nada se não houver nativos que possam dar continuidade ao aprendizado.

MISSIONÁRIOS NO PRÓPRIO QUINTAL

Hoje percebemos a necessidade de ser missionários em nossas cidades e em nosso pai. A vinha de Deus é para ser cultivada.O missionário jamais deve pensar em ganhos materiais, este jamais será o caminho de alguém que vai para a missão. Basta lembrar que Cristo falou aos seus apóstolos: “que fossem de dois em dois, sem nada, a não ser a roupa do corpo, que aceitassem o alimento que lhe fossem dados e um lugar onde pudessem dormir”. Em outras palavras, o missionário deve se preparar para tudo o que acontecer, mas não deve esquecer que o mais importante é falar sobre o Reino de Deus,

Santa Terezinha do Menino Jesus, ganhou o título de Intercessora dos Missionários. Não saiu em missão e fez com que os missionários vissem seu desempenho e amor àqueles que saem em busca dos que precisam de Deus. Sua vida foi tão dedicado ao estudo e a necessidade dos missionários, que foi agraciada com o título de Doutora da Igreja. A evangelização é tão séria que o Papa Francisco decidiu que a evangelização vem em primeiro lugar e não na doutrina. O Papa nos motiva a sermos missionários, em nosso lar, na nossa comunidade e na sociedade. Muitos esperam pela salvação de Cristo. Ser missionário é uma missão sublime.

Prof. João Henrique Hansen – Pe. Antônio Sagrado Bogaz

Produtores do filme: Zilda Arns, a via sacra da solidariedade (2019)

  • Categoria: Artigos
  • Criado em: 27/08/2019
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