Maria aos pés da Cruz


 

           Podemos imaginar onde está uma mãe, que cuida dos filhos com tanto amor? Sempre ao seu lado. Se todas as mães estão ao lado dos filhos na aflição, podemos entender onde estaria Maria, a mãe das mães, quando Jesus estava sendo crucificado. Maria estava aos pés da cruz. Partilhando, pelas gotas de sangue que escorrem no madeiro, a dor do Filho, sua angústia e sua missão. Ele sempre esteve ao lado de seu “menino”. Maria é escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. Quando o anjo lhe aparece, ele simplesmente lhe diz: “Alegra-te, cheia de graça” e a faz entender que ela foi escolhida para ser a mãe do Filho de Deus. Ela simplesmente responde: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. É o primeiro sim de Maria, que acolhe em seu ventre o Filho de Deus, Jesus Cristo. Seu sim nos mostra que estaria aos pés da cruz. Maria é saudada também por Isabel: “ Bendita és tu entre as mulheres...” Ela é bendita porque partilha o destino de seu Filho tão querido.
Em outras passagens bíblicas, vemos também o seu discreto “sim” quando no templo, após oito dias do nascimento de Jesus, ela vai com José levar o menino para a circuncisão. Para que a vida de Cristo seja poupada, Maria e José vão para o Egito levando o menino Deus. Durante os 30 anos em Nazaré, apesar de não termos informações mais precisas, pode-se imaginar o que Maria significou para Jesus e vice-versa. Na cruz cotidiana, Maria se faz presente, comungando sua história.
           A presença de Maria nas bodas de Caná nos mostra Jesus ouvindo o clamor de Maria e pedindo que Ele realize seu primeiro milagre: a água sendo transformada em vinho. O próprio Jesus dizendo: “Felizes os que creem em Deus...”, certamente tinha um sentido direcionado à Maria, que se entregou ao Senhor para sempre.
Maria acompanha Cristo ao Calvário, fica junto até a morte do Filho. Como mãe e mulher, sofre vendo o Filho unigênito do Pai agonizando na Cruz. Depois, ainda presente, participa da Ressurreição e está em Pentecostes junto do Filho, dos apóstolos e discípulos.
Mas é justamente aos pés da cruz, que Cristo lhe diz, referindo-se a João:
- Mãe, eis aí teu filho, filho eis aí tua mãe.
Neste momento, Maria se torna mãe de toda a humanidade. Isso nos faz pensar como é importante em nossa vida a presença de Maria. Símbolo do sim, da mãe de todos nós, da mulher lutadora, trabalhadora e que cria os filhos, que ama e acredita no Senhor Deus Pai. Ela está conosco aos pés de nossa cruz.
Maria gera o Filho de Deus, que é ao mesmo tempo humano e divino. Ele vem para salvar a humanidade e encontra na mãe a sua maior aliada. Maria o acompanha a vida inteira, mas é justamente aos pés da cruz que Cristo coloca a presença de Maria em nossa vida como nossa Mãe. Na realidade a Mãe de Deus que nos protege, nos socorre, a quem chamamos em todos os momentos, quando carregamos nossa cruz.
Maria personifica todas as mães do mundo. As figuras de Nossa Senhora revelam esta Mãe nos caminhos da humanidade, nas suas agruras, nos momentos de dor. Ela sempre nos ampara, nos protege, nos chama de filhos e nós retribuímos chamando-a de Mãe. Por ter sofrido tanto, entende o nosso sofrimento, principalmente daquelas mães que têm seus filhos doentes, em situações de desespero, que estão atrás das grades, nos hospitais, abandonados, drogados ou que, como Cristo, morreram injustiçados. Maria não nos abandona nunca, Deus lhe deu a força de ser nossa Mãe. Com ela, nos apegamos todos os dias, chamamos a todo instante, pois ela ouve nossos gritos, nossos choros e entende a nossa dor.
           O significado de Maria aos pés da cruz é intenso. Representa a mãe que nunca abandona o filho, que se torna a Mãe da Humanidade, que vem ao nosso encontro e nos convida a caminhar.
“Mãe do Amor, minha Mãe, Mãe do Redentor! Tu estavas ao lado de teu Filho na cruz e não perdeste a confiança na misericórdia de Deus. Acompanhaste sua dor no caminho do calvário e ficaste ao teu lado quando todas as luzes se apagaram. Ele sentiu tua presença e teu amor maternal, sentindo-se protegido e amado quando duros cravos feriram suas mãos e a cruz foi elevada diante de toda multidão. Teu Filho gritou pelo Pai, que manifestou sua presença divina. Aos pés da cruz, sentia seu silêncio e sua prece como uma fonte de força e esperança. Aos pés da cruz, Jesus nos deu a Ti por mãe e a ti nos deu como filhos. Ensina-nos, Mãe da Igreja, a viver como filhos teus, amando a Deus como tu amaste e servindo os irmãos com teu jeito maternal. Queremos viver para sempre como teus filhos para assumir a cruz dos irmãos e merecer participar da família de Jesus Cristo. Na comunhão da cruz dos irmãos, se revela a nossa solidariedade cristã.”
           O Papa Francisco, numa recente homilia, recorda que Paulo enfatiza três palavras fortes quando diz que Jesus Cristo aprendeu, obedeceu e sofreu nos braços de Maria. Diferentemente de Adão, Jesus, mesmo sendo Deus, se aniquilou, humilhou-se a si mesmo tornando-se servo. Esta é a glória da cruz de Jesus e de Maria, a “nova Eva”. Ela participa do caminho do Filho. Ela também aprendeu, sofreu e obedeceu, tornando-se nossa Mãe aos pés da Cruz. Maria é ungida por Deus, pelo Filho e pelo Espírito Santo como a Mãe da Igreja e Mãe da humanidade.
Consagramos a Vós, Mãe de Deus, consagramos a vós nossa vida e nossos ideais.

 

Pe. Antônio S. Bogaz - Prof. João H. Hansen
Autores do livro: Nos Passos de Maria:
Paulinas. 2012


Notícia publicada em: 29/04/2015

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