Compreender para melhor viver...


O tempo litúrgico, também pode ser chamado de ano litúrgico, ou seja, os doze meses celebrativos da vida de Jesus. Essas marcações visam ajudar a caminhada da Igreja na sua missão de evangelizar e catequizar. A expressão “ano litúrgico” começou a ser usada no século XIX, a partir do Movimento litúrgico, tendo grande relevância, atingindo seu ápice no Concílio Vaticano II, iniciado pelo santo padre o Papa João XXIII. Seu grande feito foi a elaboração da Constituição Sacrossantum Contilium, que tratou com muito esmero a liturgia na vida Igreja. O catecismo da Igreja Católica diz, com muita propriedade, que “o ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos (CIC 2698)”. Isso implica dizer que, afora essa solidez, a vida de oração do fiel corre o risco de se fragmentar e esfacelar por falsas doutrinas. Diferentemente do ano civil, o ano litúrgico começa com o primeiro domingo do Advento e termina na última semana do Tempo Comum, quando se celebra a solenidade de Cristo Rei. Ao redor dessa celebração, a comunidade proclama e reconhece o Cristo e seu reinado universal. Desta forma, ele sempre começa e termina quatro semanas antes do Natal, cumprindo sempre três anos (ou ciclos): A, B, e C. No Ano A, são predominantes as leituras do Evangelho de São Mateus; no Ano B, o acento maior se dá na leitura do Evangelho de São Marcos e no Ano C, predomina a leitura do Evangelho de São Lucas. Nesses ciclos, o Evangelho de João é intercalado em momentos oportunos o que corrobora para enriquecer ainda mais as celebrações.

 

Estrutura do ano litúrgico

O ano litúrgico está dividido em quatro partes específicas que marcam seu ritmo ao longo do ano. Deste modo, temos o tempo do Advento, Natal, Quaresma e Tempo Comum. Cada qual marca um momento único de fé e celebração na vida do povo Deus.

Advento: É um tempo em que a Igreja espera pelo nascimento de Cristo, o libertador. Com o Advento inicia-se o ano litúrgico, composto de quatro semanas, iniciando quatro domingos antes do Natal e encerrando no dia 24 de dezembro.


Natal: passadas as quatro semanas do Advento, celebramos o mistério da encarnação e do nascimento humano do Verbo Divino no Natal. O Verbo se faz carne e vem habitar entre nós. Momento de grande alegria e festa, pois o Filho de Deus nasce. Seu nascimento marca a certeza de que o Salvador está entre nós.


Quaresma: Tempo forte de preparação à Páscoa. Marcada pela penitência, jejum e recolhimento. Tempo de entrar em profundo espírito de oração para viver a Páscoa com Cristo. A Quaresma tem início na Quarta-Feira de Cinzas e se encerra na quarta-feira da Semana Santa. Os cristãos são constantemente convidados ao recolhimento para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui oração, penitência e caridade. Esta última como uma consequência da penitência, mas, sobretudo, a expressão visível de abertura ao compromisso de cooperar com os menos favorecidos e suas necessidades mais elementares.

Tempo comum: Após celebrarmos o Batismo do Senhor, iniciamos o chamado Tempo Comum, que se estende até a terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas. É um tempo destinado ao acolhimento da Boa-nova do Reino de Deus, anunciado por Jesus. Na segunda-feira após o domingo de Pentecostes, a liturgia da Igreja prossegue o tempo comum que se estende até o sábado anterior ao Primeiro Domingo do Advento. São 34 semanas de um tempo ordinário, porém importante por nos mostrar que Jesus está presente em tudo e em todo o tempo, até nas coisas mais corriqueiras do dia a dia.

As cores litúrgicas

Estes tempos celebrativos são marcados por um conjunto de elementos que visam ajudar os fiéis a entrarem com maior facilidade em sintonia e em oração. Esses momentos evidenciam suas cores específicas nos ornamentos e nas vestes litúrgicas que já remetem o fiel para o tempo característico daquele momento.
O índice geral do Missal Romano n° 345 afirma que “A diversidade de cores das vestes sagradas tem por finalidade exprimir externamente de modo mais eficaz, por um lado, o caráter peculiar dos mistérios da fé que se celebram e, por outro, o sentido progressivo da vida cristã ao longo do ano litúrgico”.

 

Roxo: Usa-se a cor roxa no Tempo do Advento e da Quaresma. Pode ser usado também nos Ofícios e nas Missas de defuntos. Simboliza a penitência, contrição, serenidade. Quanto ao tempo do Advento, há uma tendência a se usar o violeta, em vez do roxo, para diferenciá-lo do tempo quaresmal (penitência) e acentuar a dimensão de alegre expectativa da vinda do Senhor.

Preto: Simboliza tristeza, dor, luto. Significa o choro da Igreja diante da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seus fiéis. Pode ser usado nas missas pelos mortos, nas quais se usa também o roxo ou até mesmo o branco, para se dar ênfase não à dor, e sim, à ressurreição.


Branco: Simboliza a vitória, a paz, a alma pura, a alegria. Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor (exceto as da Paixão), de Nossa Senhora e dos Santos não-mártires.

Verde: Simboliza a esperança, sobretudo, a espera de um reino que comece já nessa vida, até ter sua completude na parusia (parousia). Usado nos domingos do Tempo Comum e nos dias da semana.


Vermelho: Simboliza o fogo do amor, da caridade ou do martírio. Lembrando o fogo do Espírito Santo, é a cor de Pentecostes. Recorda o sangue, é a cor usada nas Festas dos Santos mártires, que não hesitaram em entregar suas vidas em defesa da fé em Cristo Jesus. Usadas também no domingo da Paixão (domingo de Ramos) e na sexta-feira santa.


Rosa: Simboliza a alegria dentro de um tempo destinado à penitência.
Pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e no 4º domingo da Quaresma (Laetare).

Ainda é possível ver outras cores litúrgicas nas celebrações, não muito frequentes, como as cores dourada e prateada que podem ser usadas nos dias festivos em substituição ao branco. A cor azul também pode ser usada nas Festas e Solenidades da Santíssima Virgem Maria.

As riquezas das celebrações se tornam visivelmente melhores dentro de seu conjunto organizativo. Quanto melhor se apresenta, tanto melhor será para a expressão de fé da comunidade, pois traz, no seu bojo, o compromisso das pessoas que se dedicam para se aproximar dos ensinamentos fidedignos de Cristo e da Igreja. Vale lembrar que toda essa organização se completa com a inteira disposição do fiel em acolher e se preparar para entrar no espírito celebrativo de cada momento dentro do ano litúrgico. Para isso, a fé, a esperança e a caridade são passos marcantes a serem observados, que ajudarão nessa caminhada como bem lembrou o Apóstolo Paulo em sua Carta aos Coríntios.


Notícia publicada em: 22/04/2015

(11) 3106-7235

www.achiropita.org.br
contato@achiropita.org.br

Paróquia Nossa Senhora Achiropita

Rua 13 de Maio, 478 - Bela Vista - São Paulo - SP
CEP: 01327-000

Webmail Achiropita

Acesso Restrito