Uma vida em Imagens

 

 

Pontecurone, junho de 1872. Entre as rosas que coroam a imagem de Maria, só uma se mantém fresca... "Está querendo dizer - explica Pe. Miguel Catâneo -, que Nossa Senhora Senhora prepara alguma graça especial para a nossa cidade..."De fato, passado o mês de maio, na casa dos Gazzaniga, continuava lá aquela rosa cheia de perfume. Talvez a tenha levado mamãe Carolina Orione? O fato é que em 23 de junho, nasce Luís Orione. Anos mais tarde, vendo-o tão piedoso e trabalhador, a comunidade de Pontecurone lembrar-se-á daquela rosa e da frase dita pelo Pe. Miguel. "Podemos dizer - afirmava então Dom Orione - que Nossa Senhora, nós a tivemos vizinha desde o nascimento, aliás, também antes de nascer, porque ela já estava dentro do coração de nossas mães". (p. 7)

 

 

 

Pontecurone, 1878 - 1880. Mamãe Carolina Orione é uma forte trabalhadora e, ainda que analfabeta, sabe educar bem os seus filhos à oração, à pureza, e ao sacrifício, e leva com frequencia Luís à roça.
"Entre as graças que eu tive, - dirá muitas vezes Dom orione -o Senhor me deu aquela de ter nascido pobre; os de casa sempre trabalhavam para poder comer. Quando ia recolher as sobras de espigas de trigo, se eu parava para olhar os pássaros, minha mãe me dizia: 'junta, Luís, que é o nosso pão!...' Era uma mulher piedosa, mas enérgica: uma grande mãe sob todos os aspectos".(p.8)

 
 
 

Pontecurone, primavera de 1880. Luís Orione, enquanto se entretém com alguns coleguinhas pelso campos, onde tremulam algumas flores brancas tipo campainhas, apanha uma e move como um coroinha que toca a campainha na missa. Estranho! Ela soa de verdade; ele toca sempre com mais vontade... "Não acreditando nos meus ouvidos - recordará mais tarde -, repeti o gesto e a flor soou de novo, para a admiração dos meus companheiros, maravilhados que a deles não fizesse o mesmo... Certamente desde então o Senhor, com aquele fato, queria me mostrar que, por sua graça, me tornaria sacerdote...". (p.9)

 
 

Pontecurone, 1882. Na pequena construção, perdida entre os campos, Luís Orione leva a Maria a homenagem das flores: no inverno não sente os rigores do frio, nem no verão o calor que assola a planície, amadurando o trigal loiro.
"À beira de uma estrada - lembrará mais tarde - tinha uma capelinha linda de Nossa Senhora: eu ia visitá-la com bom ou mau tempo. Eu pensava em ti, minha mãe querida, suspiro e palpitar da minha vida; fazia muito frio, mas eu tinha um grande calor no meu coração, ó Maria, e eu te amava..." (p.10)

 
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Alhiano d'Asti - Castelnuovo Calcea, 1882 - 1885. Luís Orione espera três anos, com paciência e sacrifício, que Deus lhe abra as porta de um instituto para poder estudar. No entanto conhece a dureza e a renúncia a muitas coisas entre os perigos do trabalho de calçador de ruas, porém, se aperfeiçoa na virtude.
"Nas horas vagas - lembrará - eu me refugiava aos pés do altar, rezava a Nossa Senhora pedindo que me fizesse um sacerdote, como sempre foi o meu desejo desde pequeno... Sentindo depois os rapazes dizerem blasfêmia, eu corria para a igreja para lavar a boca com água benta..." (p.11)

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Casalnoceto, inverno 1884-1885. Luís Orione ouviu sua tia Josefina e as senhoras da fazenda São Carlos dizerem que perto da cidade existem as ruínas do santuário de Nossa Senhora da Fogliata; ele sobe então ao sótão e olha na escuridão, prometendo ir rezar no dia seguinte naquelas ruínas seultadas sob a neve.
"Nossa Senhora - lembrará Dom Orione - parecia dizer: - Entrega-te todo a mim, que eu te farei sacerdote; mais tarde virás honrar-me, virás anunciar as minhas misericórdias no novo santuário... - E, voltando-me para onde aparecia, fiz minha promessa de consagração...".
(os quadros de "Dom Luís Orione - uma vida em imagens" são de autoria da pintora Ida Marcora, estão expostos na cripta do Santuário Nossa Senhora da Guarda em Tortona - Itália. Os textos apresentados foram reunidos sob os cuidados de Pe. José Rigo). (p.12)

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Casalnocete, inverno 1884 - 1885. De fato, no dia seguinte, bem cedo, Luís Orione descobre em meio à neve as ruínas da antiga igrejinha dedicada à Virgem da Fogliata. E lhe diz: "Faz-me sacerdote, querida Senhora, e eu, para lhe agradecer, reconstruirei sua casa". Cumprirá a promessa em 1907.
"Nossa Senhora - dirá anos mais tarde Dom Orione de si mesmo - ajudou aquele menino pobre, que se tornou sacerdote e não esqueceu a Fogliata e falou muitas vezes, inclusive do púlpito, ao pvo de Casalnoceto, animando-o a reconstruir a igreja de Nossa Senhora...". (p. 13)

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Casei Gerola, primavera de 1885. Luís Orione sabe que a vocação, Dom de Deus, passa sempre pelo coração de Maria. Por isso o pedido para ela diante do Santuário de Nossa Senhora das Graças de Santo Agostinho, fechado, enquanto a mãe se preocupa em procurar o apoio de P. Milanês, pároco de Molino dei Torti: "Precisa se tornar donos do coração de Nossa Senhora - dirá sempre -; do Coração de Jesus que faz aquilo que ela deseja... Apoiando a cabeça na porta daquela igreja, pedi à Virgem de fazer-me um sacerdote...", prometendo restaurar aquela igreja, como aconteceu em 1944. (p. 14)

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Voghera, abril de 1886. Luís Orione - que em setembro de 1885 foi acolhido no pequeno convento dos Padres franciscanos - espera com ansiedade vestir o hábito do Seráfico de Assis. Infelizmente, porém, na quinta-feira santa, é atacado por um forte mal...
"Estava na minha pequena cama, com uma pulmonite aguda... Vieram com urgência meu pai e minha mãe, chorando... Os frades, dizendo que eu não escaparia, trouxeram-me a roupa para vestir-me depois de morto... Mas, um dia em que me encontrava pior, de repente, vi desaparecer a parede e me apareceu uma fila de padres jovens com sobrepeliz alvíssima, que sorriam prá mim... e comecei a melhorar..." (p. 15)

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Turim, 8 de dezembro de 1886. Devido a saúde precária, Luís Orione teve que renunciar a seguir São Francisco. Entretanto recebe a graça de ser acolhido por Dom Bosco, o santo apóstolo da juventude. Assim, com permissão do Beato Padre Rua, diante da Auxiliadora, consagra para sempre a inocência do próprio coração à Imaculada.

"Desta minha oferenda a Maria - lembrará mais tarde - devo a minha perseverança e também as muitas graças que recebi em seguida... É lá, aos pés de Nossa Senhora, que consagrei para sempre ao Senhor e à sua Igreja." (p. 16)

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Turim, 1886 - 1889. Junto a Dom Bosco, Luís Orione se encontra muito bem e se esforça tanto nos estudos que em três anos fará o ginásio. Naturalmente também ele deve enfrentar e superar dificuldades...
"Lá no santuário da Auxiliadora, tinha uma imagem - lembrará depois - oferecida a Dom Bosco pelo Pe. Catâneo de Pontecurone", depois doada à Pequena Obra da Divina Providência e hoje venerada no nosso Instituto de Fromista (Espanha); "próximo das provas eu rezava assim: - Querida Senhora, você também é do meu lugar: nós já nos conhecemos, ajuda-me: dá-me a graça da promoção!... - e lá eu aprendi as três grandes devoções de Dom Bosco: a Jesus Sacramentado e crucificado, a Nossa Senhora, ao Papa...". (p. 17)

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Turim, 1886 - 1889. Junto do Instituto de Dom Bosco, Luís Orione participa e se inscreve em todas as atividades juvenis: pequeno clero, catequista, associações, teatro, exercícios de oratória sacra como um pequeno pregador.
"Tudo que sou - repetirá muitas vezes - aprendi com Dom Bosco, que um dia me disse: - nós seremos sempre amigos!... Ele foi o verdadeiro pai de minha alma, orientando-a com afeto sem medida; a ele, depois de Deus e de Nossa Senhora, devo se hoje sou sacerdote: e por isso não posso e não devo ser senão como ele era, se quiser ser um discípulo menos indigno de tão grande mestre...". (p. 18)

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Turim, janeiro de 1888. Com a morte de Dom Bosco, Luís Orione foi escolhido com outros colegas para organizar o afluxo do povo. Ao cortar, porém, o pão com a mão esquerda que tencionava tocar no corpo do santo e distribuir depois aos doentes, corta o dedo indicador da mão direita.
"A ferida - contará - era grave, e sangrava muito. Muito angustiado pensei que, sem aquele dedo, não poderia me tornar sacerdote. O que fazer? Voltei-me para Dom Bosco e com muita fé pressionei o indicador sangrando em sua mão, que se manchou de sangue. No contato, o dedo cicatrizou e ficou intacto...". (p. 19)

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 Tortona, 16 de outubro de 1889. Luís Orione se sente movido interiormente a entrar no seminário diocesano. Antes, porém, de vestir a batina, fica muito indeciso: parece que está cometendo uma grande afronta a Dom Bosco a quem tanto queria bem. Mas tem um sonho... "Dom Bosco, iluminado como nunca - ele descreverá -, trazia entre os braços uma veste talar, e num instante ma vestiu: não disse uma palavra, só me olhou com um sorriso dulcíssimo... Acodei em meio a um choro restaurador: afinal eu tinha certeza de que Deus me queria no Seminário Diocesano...". (p. 20) 
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Tortona, 01 de Dezembro de 1891. Não podendo pagar a mensalidade do seminário, Luís Orione vai trabalhar como guardião da catedral, embora frequentando o Seminário. Exatíssimo nos seus deveres, fica muitas vezes até mais tarde a rezar. Acontece que numa noite...
"De repente escutei um barulho no escuro e passos furtivos; então eu disse: Sim, sim, pode vir mais perto: não tenho medo! Estou com alguém mais forte que você... - e mostrava o tabernáculo... Depois encontramos um ladrão escondido.
Jesus, Maria, Almas e Papa! Viver e morrer por Jesus, sacrificar-se pela nossa salvação e dos outros, trabalhar e se consumir de amor pelo Papa!" Estes serão os seus ideais. (p. 21)

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Tortona, primavera de 1892. Quanto chão já percorreu Dom Orione. Aluno de Dom Bosco, depois seminarista em Tortona e guardião da catedral. O que o Senhor deseja dele? Talvez agora comece a entender: aqueles meninos que o procuram na catedral e pelas ruas da cidade são o seu novo campo de trabalho que Deus lhe prepara!... Ele os coloca nas mãos e no coração de Nossa Senhora do Bom Conselho.
"Precisa entregar-se totalmente ao Senhor - insistia com os meninos - pelas mãos de Nossa Senhora. Ela te ajudará, se te entregares como criança nas mãos de Mãe de Deus e nossa...". (p. 22)

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Tortona, Abril de 1892. Aumentam sempre mais os meninos que correm atrás do Clérigo Luís Orione: para que não atrapalhem as funções litúrgicas dos cônegos na catedral, o Bispo Dom Bandi permite que os reúna na Igreja do crucifixo.
"A Pequena Obra - dirá mais tarde Dom Orione - nasceu aos pés do crucifixo. Os primeiros frutos daqueles meninos já foram oferecidos, e posso dizer, foram consagrados ao Senhor, aos pés do Crucifixo - que hoje se conserva no Santuário da Guarda - durante a semana santa, porque o Senhor queria mostrar-nos que a nossa vida deve consumir-se aos pés da Cruz de Jesus". (p. 23)
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Tortona, Junho de 1892. O zelo do Clérigo Orione em favor dos meninos da cidade tem o apoio do bispo Dom Bandi, interpreta e cumpre os desejos e os programas para o bem de toda a juventude da diocese. Por isto abençoa o jovem clérigo e nele todos os jovens com os quais trabalha. E muitas outras vezes renovará - apesar das incertezas naturais - a sua aprovação.
"O segredo de tudo que fizemos - responderá muitas vezes Dom Orione - é este, que nada, nada jamais se fez sem a aprovação e a bênção dos bispos e da Igreja...". (p. 24)

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Tortona, verão de 1892. A doce imagem de Maria, no antigo Edifício Busseti - hoje Instituto Dante Alighieri -, na subida do castelo medieval, parece sorrir para o clérigo Luís Orione e para os jovens de seu Oratório festivo, aberto, no último mês de julho, no jardim do bispado. Ele não se esquece jamais de elevar a Maria, com aqueles meninos, uma oração fervorosa...
"Quando, em 1920, veio parar em minhas mãos aquele edifício - dirá mais tarde -, dei-me conta então que o Senhor mo tinha mandado para mostrar-me o seu agradecimento pela homenagem que, com os meninos do Oratório, fiz, ainda clérigo, à Santíssima Virgem...". (p. 25)

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Roma, Outubro de 1892. No quarto centenário das viagens de Colombo, o Clérigo Luís Orione com cinco liras e uma passagem conseguida pelo seu irmão Bento, operário da ferrovia, pode ir pela primeira vez a Roma. Quando se deu conta de que estava no Estado Pontifício, beijou o chão do vagão em sinal de amor ao Papa.

"Da Estação Central - contava - fui a pé, de noite, a São Pedro e adormeci junto às colunas da basílica, feliz por ver a casa do Papa. Mas logo vieram os guardas e mandaram retirar-me e tive que ir para um hotel, por força...". (p. 26)

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Roma, Outubro de 1892. Luís Orione, ficou muito chateado, pois não consegue ver o Vigário de Jesus Cristo... Sem condições, passando a noite dormindo no jardim, num canto que pudesse ver a casa do Papa, lhe aparece um misterioso jovem que o conduz a uma casa na rua da missão, onde uma velhinha lhe oferece pouso... "Depois de muito tempo - lembra - tive dúvida se a velhinha não fosse Nossa Senhora... Ouso crer que aquele garoto tenha sido meu Anjo da Guarda. É verdade, estava fora da normalidade...". (p. 27)
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Roma, Outubro de 1892. Na manhã seguinte Luís Orione começa a visita aos lugares santos e à tarde vai à Igreja de São Pedro "nas cadeias", juntando-se aos outros peregrinos: ao sair, encontra um grupo de garotos, que lhe pedem um santinho.
"Chorei então - contava - ao vê-los assim abandonados e falei com eles e, já que tinha o Oratório aqui em Tortona, disse-lhes que voltaria a Roma para construir um Oratório para eles; e comprei balas e medalhas, ficando com o bolso vazio...".(p. 28)

 
 
 

Tortona, 1892 - 1893. O Clérigo Orione atende no seu pequeno escritório da catedral, acolhe os meninos no Oratório, frequenta sociedades de caridade, visita os doentes do hospital da cidade e acompanha os capelães nos cárceres. E mais...
Aprendi a tocar bandolim - dizia - e me punha embaixo da janela das cadeias a tocar, assim os pobres condenados se alegravam e deixavam de lado os maus pensamentos de sua solidão... Naquele ambiente carcerário renovei os meus votos religiosos e a bondade do Senhor me encheu de misericórdias especiais". (p. 29)

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Tortona, Junho de 1893. Para obedecer o bispo, - ao qual chegavam muitas queixas, devido a vivacidade e os distúrbios feitos pelos seus garotos - Luís Orione teve que fechar o Oratório festivo. Antes, porém entrega o Oratório e os jovens a Nossa Senhora: que ela tome conta.
"Tive que dar a notícia aos meninos - recordava mais tarde - que saíram cabisbaixos, pensando que nunca mais poderiam brincar. Com o coração angustiado os vi sair; eu estava mesmo desmontado e sem consolo... Amarrei as chaves nas mãos de Maria e, com a morte no coração, subi para o meu pequeno quarto na torre da catedral...". (p. 30)

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Tortona, Junho de 1893. O consolo celestial não demora, porém, a vir em socorro do Clérigo Orione: sobe até seu quarto e chora, olhando para o Oratório, até que adormece; sonha desaparecer tudo diante dele e aparecer uma multidão incontável de meninos de todas as cores, com sacerdotes e Irmãs. No alto, sorridente e belíssima, uma senhora com o menino nos braços estende seu manto azul imenso sobre todos, longe, bem longe... até a linha do horizonte. (p. 31)
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Tortona, Junho de 1893. O sonho de Nossa Senhora com o manto azul. "E sonhei... - conta Dom Orione -. Sobre a copa daquela árvore, Nossa Senhora segurava firme o menino Jesus com o braço direito. Por detrás se estendia um manto azul, até a linha do horizonte; e, embaixo, muitos meninos de todas as línguas e cores humanas, - que multiplicavam-se, brincavam e cantavam, e junto jovens clérigos, sacerdotes, irmãs... Acordei-me consolado"... (p. 32)
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Tortona, 15 de Setembro de 1893. "Nossa Senhora - esclareceu Dom Orione - mudou aquele Oratório na Pequena Obra da Divina Providência". De fato, com a permissão do Bispo, ele aluga uma casa, no bairro de São Bernardino, para meninos pobres, uma parte dos quais eram desejosos de seguir o caminho sacerdotal. Porém, deve pagar 400 liras de aluguel, em uma semana.
"Quando estava voltando para a catedral - lembrará muitas vezes - uma velhinha, que eu conhecia, me disse: - se você aceita no colégio o meu sobrinho, tenho em casa 400 liras e dou todas para você!... - Eu volto, então, à casa do proprietário com o dinheiro: - Onde você o roubou? - me pergunta Pasqual Stassone. - Nada de roubo - respondi - é a Divina Providência!...". (p. 33)

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Tortona, Outubro de 1893. "Nós queremos - dizem os jovens reunidos pelo Clérigo Luís Orione no primeiro Colégio de São Bernardino -, que o coração de Nossa Senhora não seja mais trespassado..." E tiram a espada que trespassava o coração da imagem de Maria: de sofredora ela se torna Nossa Senhora da Divina Providência, titular e padroeira da Obra.
"Aquela primeira imagem de Nossa Senhora do primeiro Instituto - dizia Dom Orione - era o sinal da tomada de posse, por iniciativa da própria Virgem Maria, nossa celeste fundadora, de toda a Obra, inclusive para o futuro...". No outono de 1894, o Instituto foi transferido ao centro da cidade no bairro de Santa Clara. (p. 34)

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Monte Espineto, Fevereiro de 1895. Dom Orione vai como peregrino ao lindo Santuário de Nossa Senhora com alguns jovens. Quer pedir a ela que convença o coração do Bispo a dar-lhe alguns colaboradores. Passados poucos meses, o Bispo Dom Bandi lhe dará o seminarista Carlos Sterpi de Gavazana, por décadas seu fidelíssimo colaborador e depois de sua morte, o primeiro sucessor. "Os nossos continuadores - afirmava Dom Orione - são o mais belo presente que a Mãe de Deus concede à nossa família religiosa. Preciso rezar pedindo a Nossa Senhora que continue a dar sempre estes presentes à Pequena Obra...". (p. 35)
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Monte Espineto, 19 de Julho de 1896. Dom Orione precisa com urgência de grandes favores de Maria. Enquanto os participantes do Encontro de Stazano estão almoçando, ele entrega a um jovem a ponta de uma corda que lhe está pendurada ao pescoço e se faz puxar pela subida, em oração penitente, até o Santuário.
"Nossa Mãe Santíssima - dizia - continuará a proteger-nos, conduzir-nos com segurança em suas santas mãos; com ela nos sentiremos sempre tranquilos e felizes de dar tudo, tudo, até a vida para amá-la, para encaminhar ao amor de seu filho divino, para confortar a Santa Igreja e levar a Jesus os nossos irmãos pobres...". (p. 36)

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Monte Penice (Bobbio), Setembro de 1896. Dom Orione percorre muitas estradas como peregrino dos santuários marianos, enfrentando sacrifícios e penitências. Nessa ocasião tem como companheiros dois de seus alunos; outra vez vai sozinho, bem cedo, e, na expectativa das funções, atende confissões para a alegria dos primeiros fiéis.
"Meus queridos jovens, dizia aos seus alunos - se tivéssemos vindo até aqui com todos os confortos para o estômago, que mérito teria a nossa romaria? A oração e a devoção a Nossa Senhora precisa ser acompanhada com alguma mortificação, para que sejam mais bem aceitas e dêem frutos de bênçãos...". (p. 37)

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Monte Espineto, 30 de Julho de 1899. Dom Orione fala aos seus primeiros eremitas da Divina Providência, logo após a vestição feita por Dom Bandi. Com a programação "ora et labora" (reza e trabalha), eles viverão em oração e penitência, em celas solitárias e cuidarão dos jovens trabalhadores nas colônias agrícolas.
"Ó! Feliz solidão, ó solidão feliz! - Escrevia Dom orione - os Eremitas serão parecidos a grupos de soldados que correm atrás do condutor celeste coroado de espinhos... Com a oração e com o trabalho manterão as mãos estendidas de Deus sobre os homens, e serão grandes vozes de amor a Jesus, para apressar a conversão dos pecadores, a união dos irmãos separados e o triunfo da Igreja Jesus.". (p. 38)

 
   
 
Volpara Piacentina, Setembro de 1899. Pregador excepcional das glórias de Maria, Dom Orione é chamado para a festa de Nossa Senhora das Dores: mas, mesmo com a proibição do bispo, foi preparado um baile, bem perto do cemitério. Dom orione imagina uma forma de manter o povo longe do baile: "Os sacerdotes devotos de Maria, ele costumava dizer - levam consigo o ardor da fé; com maria no coração eles partem, procuram almas, procuram o reino de Deus, e Maria põe em sua boca as palavras que fazem bem aos corações e os convidam à conversão...". (p. 39)
 

 
 
Volpara Piacentina, Setembro de 1899. De fato, no púlpito, tendo uma caveira na mão, Dom Orione repete e faz o povo repetir várias vezes: "do baile ao cemitério o caminho é curto". As palavras do jovem sacerdote impressionam os ouvintes, sobretudo porque tem logo em seguida uma confirmação imediata... "Havia poucos metros entre o cemitério e o salão de baile - lembrará Orione - mas eu queria dizer também outra coisa, que o povo entendia muito bem... De fato uma moça desmaiou no baile e morreu pouco depois... Este fato valeu mais que todas as minhas regações...". (p. 40)
 
 
Tortona, Dezembro de 1899. Dom Orione tem muitas dificuldades para garantir o pão dos seus pobres e dos meninos estudantes do Instituto Santa Clara: o banco de outro lado, há tempo que insiste com ele para que pague os empréstimos. Ele então doa a Nossa Senhora os brincos de mamãe Carolina, pedindo a ela que o ajude... "Pensei - dizia - enfeitar Nossa Senhora da Divina Providência com os brincos: subi o altar e perfurei as orelhas de Nossa Senhora, pensando comigo mesmo - Agora tenho certeza que nos atenderá!... - Era urgente o seu auxílio, senão me sequestravam o pouco que tínhamos...". (p. 41)
 
 
 
Tortona, Dezembro de 1899. Não conseguindo ajuda do Senhor, de Nossa Senhora e dos Santos, Dom orione reza para as almas. E aconteceu que a Sra. Maurina Valsena de Voghera, enquanto viaja de trem para levar uma grande soma à obra de Dom Bosco de Turim, sente uma voz misteriosa que lhe diz para levar a Dom Orione... "O porteiro Zanocchi, mais tarde missionário na Argentina - contava - tinha ordens para não deixar ninguém entrar: em vez disso, aquela senhora subiu ao escritório contrariando as ordens e me deu uma depois da outra 25 mil liras: a quantidade exata de que precisava... Quase me senti mal, diante de toda aquela Providência, e paguei imediatamente as dívidas...". (p. 42)
 
 
 
Castelnuovo Scrivia, Dezembro de 1900. Dom Orione, na pregação, disse: "mesmo que alguém pusesse veneno na tigela de sua mãe, se se arrepender, o Senhor o perdoa..." Na noite fria, bem longe, numa estrada solitária, um homem misterioso lhe pergunta se é verdade o que disse, porque é ele o tal da tigela, e não aguenta mais o remorso. "Me aproximei de um ponto de ônibus - contava Dom Orione -, joguei a neve por terra, e ele se confessou, chorando: depois me abraçou, sempre chorando, e não queria mais me largar, tamanho era o consolo que o inundava. Eu também chorei com ele...". (p. 43)
 
 
 
Vaticano, 10 de Janeiro de 1902. Após dez anos de experiência, antes de pedir ao bispo de Tortona a aprovação jurídica da sua obra, - que será concedida por Dom Bandi em 21 de Março de 1903 - Dom Orione quis consultar o Papa Leão XIII, ao qual mostra as primeiras regras, implorando a bênção. "Ele me recebeu com a maior bondade - escreverá depois -colocou sua mão muitas vezes sobre minha cabeça, dizendo-me que conhecia o que eu estava fazendo, que sabia que o espírito de nosso Instituto é muito bom, e queria que continuássemos com a sua bênção, trabalhando também para que uníssemos as Igrejas do Oriente à catedra de Pedro..." (p. 44)

 

  

 

Roma, primavera de 1903. Dom Orione e as suas casas em Roma, - começadas em 1901 na Nunzziatella, depois na Balduina e finalmente em Monte Mario - sofrem devido a oposições internas escondidas. uma noite, na Colônia Santa Maria de Monte Mário, ele sonha com o seu eremita Higino Primeiro - falecido alguns meses antes - que o exorta a confiar e invocar a Imaculada Mãe de Deus. "No sonho, no meio dos jovens que jogavam - contava Dom Orione - vi três animais ferozes prontos para atacá-los... Eu então gritei por Nossa Senhora, que estendeu as mãos abertas contra eles, e eles sumiram...; e eu entendi então o que simbolizavam...". (p. 45)

 

 

 

Garbanha, 28 de Janeiro de 1904. Dom Orione veio visitar o seu jovem sacerote Pe. Joã Batista Alvigini, muito doente, mas o encontra já morto: vestiu-o com os hábitos eclesiásticos e lhe coloca um terço entre suas mãos. De repente o morto lhe aperta a mão, sob os olhos maravilhados de todos os presentes. "Então - contava Dom Orione - eu prontamente lhe disse: Pe. Batista, aperta com mais força ainda..., e ele me apertou a mão novamente... Eu, na verdade, durante a viagem, no carro, numa certa altura tinha perguntado ao Pe. Lovazzano: - que horas são? Agora está morrendo o Pe. Alvigini... - e ele me disse que eu estava louco: em vez..." (p. 46)

 

  

 

Molino dei Torti, 1904. Padre Milanês - antigo pároco de Pontecurone e benfeitor de Dom Orione quando criança - agora o convida a fazer a pregação sobre Nossa Senhora. Uma noite o vê chegar cansado e com um saco nas costas. Dom Orione procura escondê-lo num canto, mas o Padre Milanês quer saber o que tem dentro e vê que são pedras... Dom Orione, então, sem jeito por ter sido descoberto, se justifica: "O que espera... é preciso mesmo que eu faça um pouco de penitência antes de pregar, para obter de Nosso Senhor e de Nossa Senhora a graça de que eles toquem os corações do povo que vem escutar a palavra de Deus...". (p. 47)

 

 

 

Tortona, primavera de 1904. Após 10 anos, (1894-1904) terminando o contrato com a prefeitura, Dom Orione deve deixar o velho prédio da caserna transformado no Colégio de Santa Clara e passa a ficar de olhos na casa dos Oblatos - a atual Casa mãe da Obra - que fica bem em frente e pertence ao Bispo. Para consegui-la compromete Nossa Senhora, "semeando" uma pequena imagem sua, escondida entre duas copas de árvores no jardim.
"Um dia, - recordará mais tarde - um nosso eremita, andando por ali, a encontrou... No entanto Nossa Senhora já tinha passado a casa das mãos do Bispo às nossas mãos, de um jeito que eu jamais havia imaginado. Como Nossa Senhora é bondosa!..." (p. 48)

 
 
 

Tortona, Maio de 1905. Dom Orione dá a esta imagem da Virgem do Bom Conselho o nome de "Nossa Senhora das notas de mil", porque num momento muito difícil, Ela claramente lhe manda o necessário para adquirir a atual Casa-mãe de Tortona, antiga casa dos Oblatos da Diocese.
"Como agradecimento eu fixei, ele contava, entre o madeirame dos pedreiros, o quadro doado pelo Bispo Dom novelli, reitor do Seminário. Colei as 20 notas de mil - aliás, algumas eu dividi ao meio para completar -, em torno do quadro. E a opinião corrente na cidade de Tortona, da minha possível falência, se acabou...". (p. 49)

 

 

 

Vaticano, 9 de Dezembro de 1906. São Pio X, recebe em audiência especial a Dom Orione, lê as regras de sua Obra, abençoa seu espírito e sua finalidade, aconselhando-o a chamá-la de "Pequena Obra", e o anima a continuar. Depois, o receberá muitas outras vezes, com bondade paternal, tratando-o até com certa intimidade.
"Pio X, - dizia Dom Orione -, é o Papa do lema 'Instaurare omnia in Christo!' e é o maior benfeitor do nosso Instituto... No dia 19 de Abril de 1912 eu pedi ao Papa que recebesse em suas mãos os meus votos perpétuos: faltando, porém, as testemunhas ele me disse: 'serão tstemunhas o teu e o meu Anjo da Guarda...' ". (p. 50)

  

 

 Roma, Março de 1908. A convite de São Pio X, Dom Orione começa o trabalho pastoral na "Patagônia romana", quer dizer, aquela área fora da porta de São João: transforma então, em capela uma dupla cocheira para cavalors, próximo à mal afamada seita de Giordano Bruno. "Para convidar o povo - contará mais tarde - enchi os bolsos, e com uma grande campainha saí pelas estradas do bairro, passando pelas casas e deixando cair de vez em quando balas e alguma moeda; então os meninos me acompanhavam e os grandes vinham com curiosidade. Assim nasceu a nossa Paróquia de Todos os Santos em Roma". (p. 51)

 

 

 

 

Messina, 28 de Dezembro de 1908. O terremoto destroi as cidades de Régio Calabria e de Messina. Dom Orione deixa Tortona e parte. Carregado com bolsas, passa entre os escombros, por toda a parte oferecendo pão e conforto; reúne os primeiros órfãos em Cassano Jônio; vive num furgão abandonado, colabora com o grupo governamental e a comissão pontifícia. O Papa Pio X depois o nomeia Vigário geral de Messina como auxiliar do Arcebispo D'Arrigo. Passa 3 anos na região (1909 - 1912).
"O Santo Padre quis assim - ele escreveu na época - e seja feita a vontade de Deus. Coloquei-me nas mãos de Nossa Senhora e lhe pedi 3 dons: a caridade, a inteligência e a prudência. Quero me entregar todo aqui por Deus, pela Igreja e pelas almas!..." (p. 52)

 

 

 

Roma, outono de 1909. Dom Orione fica sabendo que o conhecido político e ex-presidente do conselho do governo, Alexandre Fortis, está doente e procura um sacerdote, mas seus amigos sem fé o impedem.
"O doente estava muito agitado, lembra Dom Orione, e o doutor Zanotti, seu médico, queria ajudar aquela alma... Avisou-me... Eu, então, me vesti de enfermeiro e, acompanhando o médico passei no meio daqueles senhores da seita e, enquanto fingia cuidar do corpo, fiz o trabalho de ressuscitar sua alma; depois, nos funerais realizados sem cruz nem sacerdote, eu repetia as orações do sufrágio cristão...". (p.53)

 

 

 

Calábria, Novembro de 1911. Dom Orione está viajando: adormece e sonha que a moldura do quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada no Seminário de Tortona, ataca algumas pequenas pirâmides colocadas aos seus pés... O que quer dizer? Orione compreende mais tarde: Nossa Senhora não aceita os jovens devassos, indignos de seu amor.
"A Virgem santíssima - narrava mais tarde - se torna uma professora profundamente chateada; escondeu a própria face e não queria ver: os seus olhos se encheram de pranto profundo e amargo... Após este aviso de Nossa Senhora, se pode livrar a casa dos jovens mais maliciosos...". (p. 54)

 
 
 

Numa romaria aos Santuários de Nossa Senhora de Caravaggio e da Guarda prá lá de Genova, 1907 - 1914. As grandes romarias com milhares de participantes, mereceram todo o zelo de Dom orione nas primeiras décadas do século e foram um ensaio de tudo o que faria depois com os santuários e iniciativas populares de amor à Mãe celeste.
"Os santuários - dizia - são centros de fé, de piedade e de fraternidade cristã, são a casa de nossa Mãe. Hoje, diante de ti, ó Maria, é a vitória da fé, é uma compacta multidão vinda das cidades e dos campos, sem reparar o cansaço e o desânimo, ansiosa por aproximar-se do teu altar, contemplar mais de perto o teu olhar e repetir: Ave Maria!..." . (p. 55).

 

 

 

Santuário de Caravaggio, 1908. Dom Orione era a alma das romarias que organizava, enfrentando canseiras e sacrifícios para garantir a elas o maior sucesso espiritual. Se preocupava sobretudo dos homens e dos rapazes, e os confessava até altas horas da noite.
"Ó como sentíamos refeitos e serenos os peregrinos!... - ele lembrava - Pareciam transformados aqueles pobres homens! - Dom Orione, não mais seguiremos o mal, - me diziam - não mais diremos blasfêmias, suportaremos com mais calma e paz os sofrimentos da vida! - Era Nossa Senhora, eram os sacramentos que mudavam aquelas almas!...". (p. 56)

 

 
 

Monte Figonha (Gênova). O Santuário da Guarda que ocupa o alto do monte, é uma outra meta dos romeiros que aos milhares seguem Dom Orione até o topo, onde Nossa Senhora apareceu ao pastor Bento Pareto em 29 de Agosto de 1490.
Também sozinho, Dom Orione vai, quase sempre a pé, lá no alto venerar Nossa Senhora e os sacerdotes do Santuário o surpreendem algumas vezes ainda de madrugada na capelinha da aparição, onde ele passara a noite em oração.
"Nossa Senhora, - dizia ele - é vínculo de paz; o seu amor cura as feridas da alma, ajuda os seus filhos, inspira sentimentos de perdão, aproxima as almas de Deus e as salva...". (p. 57)

 
 
 
Savona, 4 de Maio de 1912. Antes de levar a Tortona o jovem de San Remo Brás Maraboto - logo depois sacerdote da Obra e seu representante na Polônia -, Dom Orione o acompanha ao Santuário de Nossa Senhora da Misericórdia. "Na medida que subíamos - contará Dom Orione - Brás olhava ao redor, se ruborizava todo e chorava... Você se sente mal?... - Eu perguntava -, Não... - me respondeu - é que eu já sonhei que vim com um padre aqui em cima e de já ter visto todas estas coisas... - Eu também, - acrescentei - tive o mesmo sonho... - Entramos, então, no Santuário e rezamos durante muito tempo a Nossa Mãe, mãe das santas vocações, que para lá nos conduziu...". (p. 58)
 
 
 
 
Avezzano (Abruzzo), 13 de Janeiro de 1915. Outro terrível terremoto golpeia desta vez grande parte da região Mársica: 30 mil mortos... Dom Orione, que se encontra em Roma, parte para lá imediatamente, com toda a sua caridade. "No meio da noite e da confusão - escreve logo após o inglês Von Hugel - corria, completamente absorto na desventura daqueles pobres, Dom Orione, um humilde padre, a quem muitos já procuravam como a um santo, nascido entre os humildes e pobres, para os humildes e pobres. Ele levava duas crianças, uma em cada braço e, por onde ia, levava ordem, esperança e fé no meio de toda aquela confusão e desespero...". (p. 59).
 
 
Avezzano, Janeiro de 1915. Na subida do Montebove, a neve é alta e o carro, carregado de órfãos, não pode ir em frente. Ouve-se um grito: "os lobos... os lobos!..." Com sangue frio, Dom Orione acalma as crianças dizendo: "Ah! Essa cachorrada vai logo embora!!!", e o motorista dispara alguns tiros de revólver e vai ladeira abaixo... Os lobos, apavorados com os gritos e os disparos param um instante, e é a salvação... "Algumas vezes - escrevia depois Dom Orione ao seu irmão Bento - eu pensei que fosse morrer debaixo da chuva e da neve, dormindo no chão e molhado da cabeça aos pés, sem roupa para trocar e nada para comer...". (p. 60)



 

Avezzano, Fevereiro de 1915. Um dia, ao ver alguns carros livres do séquito do rei, Dom Orione coloca imediamente neles alguns órfãos: os guardas reclamam e avisam imediatamente ao rei. Dom Orione, sem se intimidar pede diretamente ao rei que lhe consiga um carro para tansportar as crianças terremotadas ao seu Instituto em Roma. Vitorio Emanuel III, admirado com a resolução do padre, oferece o carro... "A minha vida vida - dizia aqueles dias Dom Orione - eu a entreguei ao Senhor e ao meu próximo, e ficaria muito contente se me levassem de volta a Tortona morto de tanto trabalhar pela fé e para fazer o bem aos órfãos do terremoto...". (p. 61)

 

 

  

 

Roma, primavera de 1915. Naqueles meses de tanto cansaço para as vítimas do terremoto do Abruzzo, Dom Orione se preocupa em defender os bens dos órfãos e dos pais que morreram na catástrofe. Cava entre os escombros, leva tudo ao patronato do governo, do qual é delegado: procura renovar em todos a confiança em Deus, e, às crianças que desejam, leva a Roma ou a outros centros de apoio. Muitas vezes, aos que são acolhidos na sua Colônia de Monte Mário, para arranjar-lhes um lugar, vai dormir nas palhas do estábulo... "Não se lembrem de mim a não ser para rezar - escrevia ainda ao seu irmão Bento - tu bem sabes que a minha vida eu a entreguei a Jesus, à santa Igreja e aos órfãos: minha vida é para ser gasta assim...". (p. 62)

 

  

 

 

Tortona, Março de 1917. Dom Orione tem muitos órfãos filhos da primeira guerra mundial para manter, mas com frequencia lhe faltam os meios necessários. "Eu fui tomado por grande angústia - contará depois - Ó Santa Mãe, pedi a ela, ajudai-me... - Certa noite, no quarto, para ler alguma coisa, peguei ao acaso de uma prateleira um dos livros deixados em herança por Pe. Antônio Gallarati falecido em 1911: com grande admiração caíram em minhas, bem embrulhadas num pacote, tantas notas de mil, quantas eu tinha necessidade... Talvez as colocara Pe. Gallarati, capelão de São Roque, e a Providência se serviu também dele para ajudar os nossos órfãos...". (p. 63)

 

 

 

Tortona, 01 de Maio de 1917. A Itália está em guerra há dois anos. Tortona tem os seus homens lutando na trincheira e as famílias do bairro São Bernardino estão vivendo na miséria. Uma multidão de mulheres vai em direção ao centro da cidade, empunhando bandeiras vermelhas, agitando paus e armas, invadindo as casas de comércio: Dom Orione vai com os seus jovens para a praça da catedral para acalmar os ânimos e defender o bispo...
"Tudo isto - escreveu - é fruto da descristianização, que vai tirando dos corações tudo aquilo que era riqueza ideal e moral do passado, e gera ódio profundo... É preciso estar com o povo e sacrificar-se, até à morte, mas ajudá-lo a recuperar o seu ser cristão...". (p. 64)

 

 

 

Tortona, 4 de Outubro de 1917. Apavorado com certas cenas de vandalismo, Dom Orione procura logo ajudar algumas famílias de São Bernardino e entrega a creche e o laboratório às Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, fundadas por ele em 29 de Junho de 1915. Então, elas recebem de Dom Albera, o hábito de religiosas e se consagram ao serviço dos pequenos e dos doentes nos Pequenos Cotolengos. "Estes - dizia Dom Orione - devem ser os para-raios das grandes cidades, atraindo as bênçãos de Deus com o apostolado do sofrimento e da oração. Os Pequenos Cotolengos não perguntarão a quem entra se tem um nome ou religião, mas somente se tem uma dor...". (p. 65)

 

 
 
 

Tortona, bairro de São Bernardino, 1917-1918. "Venha, venha, Dom Orione - diziam-lhe as lavadeiras - se alguém quiser atacá-lo, nós o defenderemos com nossos tamancos...". Aquela região estava espiritualmente abandonada e chegou a ser inimiga dos sacerdotes que corriam riscos de passar por lá... Exatamente ali, em vez, Dom Orione acenderá a chama de uma grande fé com o Santuário de Nossa Senhora da Guarda.
"A nossa sociedade, - afirmava - continuando assim, caminha para a ruína completa, e chegou a tal ponto devido à soberba, à sua apostasia da fé... Ó, é especialmente a Nossa Senhora que Deus confiou a obra da paz universal do mundo...". (p. 66)

 
 
 
 
 

Tortona, 29 de Agosto de 1918. Vendo, porém, piorar sempre mais as condições de vida das famílias de São Bernardino, Dom Orione decide pedir ajuda da Virgem Santíssima, prometendo, com o apoio unânime de toda a cidade, a construção de um grande santuário mariano.
"Aquele dia - lembrará mais tarde - foi realmente decisivo para o bairro de São Bernardino. Aos pés de Nossa Senhora colocamos os nomes dos combatentes, com as fotos trazidas pelas esposas e mães; o bispo veio benzer a nova imagem, e se fez o voto do Santuário, se a guerra terminasse vitoriosamente para a Itália e os soldados voltassem para casa sãos e salvos...". (p. 67)

 
 
 
Nos idos do ano 1000, em São Bernardino tinha uma igreja de Nossa Senhora das Graças: em 1418 o próprio São Bernardino de Sena fez aí a sua pregação, daí o nome do bairro. Depois, uma imagem de Nossa Senhora, pintada sobre um pilar de ponte, começou a conceder graças: um

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